Chamada: Aletria (v. 30, n. 2) – Memória e testemunho em tempos sombrios

Que tempos são esses, em que
falar de árvores é quase um crime,
pois implica silenciar sobre tanta barbaridade!
(Bertolt Brecht, "Aos que vão nascer")


O presente dossiê da Aletria: Revista de Estudos de Literatura visa a reunir contribuições de pesquisadores acerca da relação entre memória e testemunho em tempos sombrios. Rememorar é resistir, é resistir ao esquecimento, é resistir à ação do tempo e, sobretudo, é resistir contra o esquecimento programático de atos de violência, seja ela simbólica ou física. Em sua relação com o passado, a literatura sempre revisitou e tem revisitado a história – sobretudo a história oficial, muitas vezes, para "escová-la a contrapelo", como diria o pensador alemão Walter Benjamin, para iluminar no presente as injustiças cometidas no passado. Todavia, nos dias atuais, nas disputas entre discursos – pensemos em Michael Pollak e na noção de "amnésia comandada" –, rasura e negacionismo trabalham para concretizar tal "amnésia", a fim de imporem o discurso da “verdade” histórica, uma “história” não a ser relida, mas sim a ser rasurada a partir de um determinado viés ideológico. Podemos, aqui, falar também de “desmemória” ou de “memória confiscada”, conforme propõe o historiador Enrique Serra Padrós. Portanto, resistir a tais discursos que alicerçam políticas de esquecimento programático se torna também um imperativo. Diante disso, serão bem-vindas contribuições que proponham reflexões sobre obras literárias contemporâneas que se referem a regimes ditatoriais, a períodos de políticas autoritárias ou aos impactos do totalitarismo, assim como a eventos históricos violentos, como guerras, extermínios, genocídios, chacinas, entre outros, em diversas formas de manifestação, como a ficção, o testemunho, o testimonio, a autoficção, a crônica ou a correspondência, por exemplo. As leituras das obras escolhidas podem, de acordo com essa perspectiva, lidar com noções como "memória", "desmemória", "pós-memória", "memória subalterna", "memória subterrânea", "memória coletiva" e "memória reciclada". As contribuições podem abordar, entre outros tópicos, as relações entre formas literárias e violência, as especificidades de narrativas sobre desaparecidos políticos, ou as conexões entre memória política e crítica literária.

Organizadores: Prof. Dr. Elcio Loureiro Cornelsen (UFMG), Prof. Dr. Jaime Ginzburg (USP), Prof. Dr. Karl Erik Schøllhammer (PUC Rio).

Prazo para envio de artigos: 31 de outubro de 2019.

ATENÇÃO AUTORES: As normas para submissão de trabalhos à revista Aletria mudaram. Recomendamos que leiam atentamente nosas Diretrizes para Autores antes de enviar sua contribuição.

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CALL FOR PAPERS: Aletria (v. 30, n. 2) – Memory and Testimony in Dark Times

 In the present issue, Aletria: Revista de Estudos de Literaturas purpose is to reunite researcher’s contributions regarding memory and testimony in dark times. To remember is to resist, resisting to forgetting, resisting to the action of time and, above all, it is to resist against the systematic forgetting of violent acts, both symbolic and physical. Literature, in its dialog with the past, always revisited and is still revisiting History, mainly the official History, many times, to "brush History against the grain", as German intellectual Walter Benjamin would say, to illuminate, in the present, the injustices committed in the past. In present days, however, in the disputes between discourses – we might think in Michael Pollak and the concept of “commanded amnesia” – erasure and denialism work to materialize this “amnesia”, to impose a discourse of Historical “truth” or confiscated Memory, according to historian Enrique Serra Padrós. Therefore, to resist to these discourses which base systematic politics of forgetting becomes an imperative. In face of that, we welcome contributions that present reflections on contemporary literary texts which refer to dictatorial regimes, times of authoritarian politics, or impacts of totalitarianism, as much as violent historical events, such as wars, exterminations, genocides, slaughters, among others, in a variety of forms of manifestation, such as fiction, testimony, testimonio, autofiction, chronicles or correspondence, for example. The studies on the chosen texts might, according to this perspective, deal with notions such as “memory”, “desmemory”, “post-memory”, “subaltern memory”, “subterranean memory”, “collective memory” and “recycled memory”. The contributions might approach, among other topics, the relations between literary forms and violence, the specific aspects of narratives regarding missing people who disappeared in times of political repression, or connections between political memory and literary criticism.  

 Editors of the issue: Prof. Dr. Elcio Loureiro Cornelsen (UFMG), Prof. Dr. Jaime Ginzburg (USP), Prof. Dr. Karl Erik Schøllhammer (PUC Rio).

 Deadline for submissions: October 31st 2019.

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LLAMADA: Aletria (v. 30, n. 2) – Memoria y testimonio en tiempos sombríos

Este número de Aletria: Revista de Estudos de Literatura se propone reunir contribuciones de investigadores acerca de la relación entre memoria y testimonio en tiempos sombríos. Rememorar es resistir, es resistir al olvido, es resistir a la acción del tiempo y, sobre todo, es resistir contra el olvido programático de actos de violencia, ya sea ésta simbólica o física. En su relación con el pasado, la literatura siempre revisitó y ha revisitado la historia –sobre todo la historia oficial, muchas veces para “cepillarla a contrapelo”, como lo diría el pensador alemán Walter Benjamin, para iluminar en el presente las injusticias cometidas en el pasado. Sin embargo, en los días actuales, en las disputas entre discursos –pensemos en Michael Pollak y la noción de “amnesia comandada–, rasura y negacionismo trabajan para materializar dicha “amnesia”, a fin de imponer el discurso de la “verdad” histórica, una “historia” no a ser releída, sino borrada a través de un matiz ideológico. Podemos aquí hablar también de “desmemoria” o de “memoria confiscada”, según lo propone el historiador Enrique Serra Padrós. Por lo tanto, resistir a dichos discursos que sostienen políticas de olvido programático se vuelve también un imperativo. Frente a eso, se aceptarán contribuciones que propongan reflexiones acerca de obras literarias contemporáneas que hagan referencias a regímenes dictatoriales, a períodos de políticas autoritarias o a los impactos del totalitarismo, así como a eventos históricos violentos como guerras, exterminios, genocidios, entre otros, en diversas formas de manifestación, como la ficción, el testemunho, el testimonio, la auto-ficción, la crónica o la correspondencia, por ejemplo. Las lecturas de las obras elegidas pueden, bajo esta perspectiva, lidiar con nociones como “memoria”, “desmemoria”, “post-memoria”, “memoria subalterna”, “memoria subterránea”, “memoria colectiva” y “memoria reciclada”. Las contribuciones pueden tratar, entre otros temas, las relaciones entre literatura y violencia, las especificidades de narrativas sobre desaparecidos políticos, o las conexiones entre memoria política y crítica literaria.

Organizadores: Prof. Dr. Elcio Loureiro Cornelsen (UFMG), Prof. Dr. Jaime Ginzburg (USP), Prof. Dr. Karl Erik Schøllhammer (PUC Rio).

Plazo para envío de artículos: 31 de octubre de 2019.