Então, de onde vem a força que os faz continuar correndo? Condições diaspóricas e rostidades olímpicas em Chariots of Fire, de Hugh Hudson / So Where Does the Strength to Keep Running Come From? Diasporic Conditions and Olympic Facialities in Hugh Hudson’s Chariots of Fire

Jorge Alves Santana

Resumo


Resumo: Em 1917, o Barão Pierre de Coubertin sintetiza, em seus escritos doutrinários, que uma das finalidades mais nobres do Olimpismo “é, por excelência, a glorificação da juventude”. Em 1924, Paris sedia a VIII Olimpíada dos tempos modernos, na qual o lema “Citius, Altius, Fortius” continua a oscilar entre a vontade individual da vitória e as articulações pragmáticas dos países em busca de vitórias coletivas e colaborativas. Neste breve estudo, dado o seu quadro inicial, acompanharemos a já clássica narrativa fílmica Chariots of fire (Carruagens de fogo – 1981), de Hugh Hudson, no que ela nos oferece da caracterização da delegação britânica, presente nos Jogos Olímpicos de 1924. Esse grupo de jovens atletas, bem como suas equipes de apoio, é representado de modo tensionado em sua formação multicultural, com ênfase nos substratos marcados por dois atletas diaspóricos: o “Escocês Voador” e o judeu filho de um financista de Londres. Refletiremos, pois, sobre essas duas linhas de força político-cultural, entre outras, responsáveis pela conformação da tradição e da rostidade dialética de uma nacionalidade heterogênea e contraditória que terá presença constante e vitoriosa em vários Jogos Olímpicos modernos.

Palavras-chave: Carruagens de Fogo; Jogos Olímpicos; tradição nacional; diáspora.

Abstract: In 1917, Baron Pierre de Coubertin states in his doctrinal writings, that one of the noblest goals of Olympics “is by excellence, the glorification of youth”. In 1924, Paris hosted the 8th Olympic Games of modern times, in which the motto “Citius, Altius, Fortius” oscillated between the individual will of victory and the pragmatic joints of countries in search of collective and collaborative victories. In this brief study, given its initial framework, we will address the now classic film narrative Chariots of fire (1981), by Hugh Hudson, as it conveys the characterization of the English Delegation in the 1924 Olympic Games. A tense multicultural background distinguishes this group of young athletes, as well as their support teams, with emphasis on substrates marked by two diasporic athletes, the “Flying Scotsman” and the son of a London-based Jewish banker. We reflect on these two lines of political and cultural strength that, among other factors, account for both the conformity to tradition and the dialectic faciality of a heterogeneous and contradictory nationality, which has had constant and successful presence in several modern Olympic Games.

Keywords: Chariots of fire; Olympic Games; national tradition; diaspora.


Palavras-chave


Chariots of fire; Olympic Games; national tradition; diaspora; Carruagens de Fogo; Jogos Olímpicos; tradição nacional; diáspora.

Texto completo:

PDF

Referências


ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. São Paulo: Ática, 1989.

BLAKE, William. Jerusalém. Tradução de Saulo Alencastre. São Paulo: Hedra, 2010.

BOGOMOLETZ, Davy. O Hassidismo como visão de mundo: os princípios básicos da ética hassídica. Judaísmo Humanista, 18 maio 2010. In: http://judaismohumanista.ning.com/forum/topics/o-hassidismo-como-visao-de. Acesso em: 20 jun. 2016.

BOURDIEU, Pierre. Programa para uma sociologia do esporte. In: ______. Coisas ditas. Tradução de Cássia R. da Silveira e Denise Moreno Pegorim. São Paulo: Brasiliense, 2004. p. 207-220.

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Tradução de Mariza Corrêa. Campinas: Papirus, 1996.

CHARRIOTS of fire / Carruagens de fogo. Direção: Hugh Hudson. Produção: David Puttnam. Roteiro: Colin Welland. Inglaterra: Enigma Productions, 1981. 1 CD-Rom (123m), drama, color.

COUBERTIN, Pierre. Olímpicos – seleção de textos. Tradução de Luiz Carlos Bombassaro. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2016.

DANS, Peter E. Christians in the movies: a century of saints and sinners. Lanham: Rowman and Littlefield, 2009.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Ano zero: rostidade. In: ______. Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia. Tradução de Aurélio Guerra Neto et al. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996. p. 28-57.

GUINSBURG, Jacó. (Org.). O judeu e a modernidade: súmula do pensamento judeu. São Paulo: Perspectiva, 1970.

GUTTMANN, Julius. A filosofia do judaísmo: a história da filosofia judaica desde os tempos bíblicos até Franz Rosenzweig. Tradução de Jacó Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2003.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Tradução de Adelaine La Guardia Resende. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2001.

HOBSBAWM, Eric J. A invenção das tradições. In: HOBSBAWM, Eric J.; RANGER, Terence (Org.). A invenção das tradições. Tradução de Celina Cardim de Cavalcante. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984. p. 9-24.

HUTCHEON, Linda. Uma teoria da paródia. Lisboa: Edições 70, 1989.

MUCZNIK, Lúcia Liba et al. (Coord.). Dicionário do judaísmo português. Lisboa: Editorial Presença, 2009.

OLYMPIC CHANNEL. The complete London 2012 – opening ceremony. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4As0e4de-rI. Acesso em: 10 ago. 2016.

VANOYE, Francis; GOLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 1994.

VON MEIEN, Joachim. The multiculturalism vs. integration debate in Great Britain. Munich: GRIN Verlag, 2006.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.26.3.231-250

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2017 Jorge Alves Santana



Aletria: Revista de Estudos de Literatura
ISSN 1679-3749 (impressa) / ISSN 2317-2096 (eletrônica)

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.