O Fervoroso Fausto de "A Vestal!", de Álvaro do Carvalhal / The Fervent Fausto in “A Vestal!”, by Álvaro do Carvalhal

Fernando Vidal Variani, Antonio Augusto Nery

Resumo


Resumo: O principal objetivo deste trabalho é fornecer um possível modo de compreender o desenvolvimento da personagem Fausto no conto “A Vestal!”, de Álvaro do Carvalhal (1844-1868), especificamente no que tange às relações entre essa personagem e o que entendemos como uma possível representação do mal na narrativa. De acordo com Maria do Nascimento Oliveira (1949-), “A Vestal!” é um conto em estilo “realista romântico” que trata, principalmente, de um conflito mal resolvido entre “matéria” e “espírito”. Baseando-nos nas proposições de Georges Bataille (1897-1962) acerca do universo literário como um campo de experimentação das emoções humanas regido por uma “hipermoral” (não pela ausência de moral), propomos que, em “A Vestal!”, bem como em toda a obra de Carvalhal, todos os jogos contraditórios estabelecidos (e até mesmo superexplicitados) tendem não apenas à complementaridade que constitui um único sistema de pensamento, mas também a causar consideráveis oscilações e imbricamentos entre aqueles que, à primeira vista, poderiam parecer polos claramente opostos. Fausto, nessa perspectiva, pode figurar como uma personificação particularmente interessante dessas concepções, conforme pretendemos discutir neste artigo.

Palavras-chave: literatura portuguesa; Álvaro do Carvalhal; A Vestal!.

Abstract: The purpose of this work is to offer a possible way of understading the development of the character Fausto of “A Vestal!”, by Álvaro do Carvalhal (1844-1868), specifically concerning the relations between this character and the representation of evil in the narrative. According to Maria do Nascimento Oliveira (1949-), “A Vestal!” is a kind of “romantic realist” tale that deals with the conflict between “matter” and “spirit”. Based on Georges Bataille’s (1897-1962) reflections about the literary world as an “hypermoral” (not “amoral”) open field to human souls’ experimentation, we propose that in “A Vestal!”, as well as in all of Carvalhal’s works, all of the established (and even overexplicit) contradictions tend not only to be complementaries of the same system of thought, but also to cause a considerable oscilation and confusion between what at first sight could seem to be clearly opposite poles. Fausto, in our perspective, is a particularly interesting personification of this idea, as we intend to discuss in this paper.

Keywords: Portuguese Literature; Álvaro do Carvalhal; A Vestal!.


Palavras-chave


Portuguese Literature; Álvaro do Carvalhal; A Vestal!; literatura portuguesa.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.27.1.315-333

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