Escrita e escuta de corpo inteiro: a lalíngua de água viva

Maria das Graças Fonseca Andrade

Resumo


Resumo: Este trabalho estuda Água viva, de Clarice Lispector, a partir da noção lacaniana de lalíngua (lalangue), investigando aí a relação entre linguagem, inconsciente e Literatura, já que, para Lacan, “o inconsciente ‘é feito de lalíngua’” e ele se utilizará da experiência literária de Joyce para avançar em sua formulação. Água viva é aqui então pensado como um “idiomaterno”, “que nos ‘afeta’ com ‘efeitos’ que são ‘afetos’”, como bem o diz Haroldo de Campos, parodiando Lacan.

Palavras-chave: Clarice Lispector; Água viva; lalíngua.

Résumé: Cet essai propose une lecture de Água Viva, de Clarice Lispector, à partir la notion de lalangue de Jacques Lacan, tout en recherchant le raport parmi la langage, l’inconscient et la littérature, car “l’inconscient ‘est fait de lalangue’”, comme dit Lacan, qui s’utilisera de l’experience littéraire de Joyce afin d’avancer dans sa formulation.

Mots-clés: Clarice Lispector, Água viva, lalangue.


Palavras-chave


Clarice Lispector; Água viva; lalíngua; lalangue.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.12.0.171-184

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