Cultura negra e sobrevivência: samba, rap, funk e o racismo sintomático / Black Culture and Survival: Samba, Rap, Funk and Symptomatic Racism

Isadora Almeida Rodrigues, Roniere Menezes

Resumo


Resumo: Este ensaio discute as ideias de sintoma e sobrevivência – como elaboradas por Georges Didi-Huberman – a partir de uma comparação do lugar social de três movimentos musicais brasileiros fortemente associados à negritude: o samba, o rap e o funk carioca. Observa-se que o tratamento, em grande medida discriminatório, dado pela sociedade brasileira ao samba, no passado, e ao rap e ao funk, no presente, explicita o caráter sintomático do racismo em nosso país. Ainda que desde a década de 1930 se venha construindo um discurso que busca disseminar a ideia de democracia racial no Brasil, o racismo insiste em ressurgir nas mais variadas relações sociais, da maior probabilidade de morte por meios violentos enfrentada pela população negra às dificuldades que se impõem a suas produções artísticas.

Palavras-chave: cultura negra; racismo; sintoma; sobrevivência; democracia racial.

Abstract: This article discusses the concepts of symptom and survival – as they have been elaborated by Georges Didi-Huberman – through comparing the social status of three different musical movements strongly associated with blackness: samba, rap and funk carioca. We suggest that the highly discriminatory treatment given to samba in the past, as well as to rap and funkin the present, is a good example of the symptomatic racism which characterizes social relations in Brazil. Although a discourse which disseminates the idea of Brazil as a racial democracy has been developed in the country since the 1930s, racism insists on reappearing in several social situations, from the much higher probability of death through violent means faced by the black population to the difficulties imposed on their artistic productions.

Keywords: black culture; racism; symptom; survival; racial democracy.


Palavras-chave


cultura negra; racismo; sintoma; sobrevivência; democracia racial.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.28.4.137-154

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