Detetives agnósticos e leitores demiúrgicos: a questão do saber em O leilão do lote 49 e “Cidade de vidro” / Agnostic Detectives and Demiurgic Readers: The Question of Knowledge in the Crying of Lot 49 and “City of Glass”

Julio Jeha

Resumo


Resumo: O leilão do lote 49, de Thomas Pynchon, e “Cidade de vidro”, de Paul Auster, divergem da ficção de mistério tradicional em termos de personagens, estrutura e estética. Ambos têm detetives incomuns que descobrem mais sobre si próprios e os Estados Unidos do que sobre um crime ou um culpado; ambos negam uma solução final ao oferecerem possibilidades múltiplas; ambos comentam a natureza da ficção de detetives segundo a visão de mundo moderna e a pós-moderna. Essas divergências os caracterizam como histórias de antidetetives, em que uma descoberta da verdade é frustrada.

Palavras-chave: ficção de detetive; literatura pós-modernista; Thomas Pynchon; Paul Auster.

Abstract: Thomas Pynchon’s Crying of Lot 49 and Paul Auster’s City of Glass diverge from traditional mystery fiction in terms of characters, structure, and aesthetics. Both have unusual detectives who discover more about themselves and America than about a crime or a culprit; both deny a final solution by offering multiple possibilities; both comment on the nature of detective fiction in the modern and postmodern world- views. These divergences characterize them as anti-detective novels in which a disclosure of truth is denied.

Keywords: detective fiction; postmodernist literature; Thomas Pynchon; Paul Auster.


Palavras-chave


ficção de detetive; literatura pós-modernista; Thomas Pynchon; Paul Auster; detective fiction; postmodernist literature.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.20.3.127-137

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