O outro “otro” de Borges: o perigoso historiador-crítico lê Facundo na “unánime noche” / The Borges’ Other “Otro”: The Dangerous Historian-Critic Reads Facundo in the “Unánime Noche”

Breno Anderson Miranda

Resumo


Resumo: Tentaremos mostrar nesse artigo, que na “unánime noche” de Borges, as Luzes que se abrem ao raiar do dia não devem ser descartadas, e funcionam como relevantes documentos para o historiador-crítico borgeano. Aliás, são nelas que os pesadelos mais sombrios da escuridão transformam-se em artes e práticas cotidianas, para o bem ou para o mal. Se os anos 1960 e 1970 continuam os sonhos de Sarmiento, como no prólogo de Borges a Facundo; os vazios da calada da noite podem revelar encontros dos mais incompatíveis. O jovem revolucionário, leitor de Marx, Engels e Evita, por exemplo, sabe que a leitura da obra de Borges, proibida, pode ser mais prazerosa do que imagina; e a literatura de Borges, como disse David Viñas, sabe muito bem que não é nada inocente (como qualquer outra), em sua leitura do mundo. Assim, reciprocamente, no exílio à “unánime noche”, elas almejam ir ao encontro da utopia revolucionária do outro “otro”. Sonho ou realidade?

Palavras-chave: Jorge Luis Borges, Domingo F. Sarmiento, noturno, utopia, romantismo

Abstract: In this article, we try to show that in Borges’ “unánime noche”, the Lights open at daybreak should not be ruled out, and they work as relevant documents to the function shown here: a historian-critic. Through the realistic magnifying glass of this proletarian work, we can see the transformations of the darkest nightmares of darkness in arts and practices of everyday life, for good or for evil. If the decades of the 1960s and the 1970s remain the dreams of Sarmiento, as in the prologue of Borges to Facundo, the empties of the dead of night can reveal meetings between sides that at first glance show up very polarized. In the offense committed by the passionate reading, after the estrangement due to the horror of the authorship, some leftist youth, a reader of Che, Evita, Rodolfo Walsh, and Cortázar, among others, feels that the morally forbidden reading of the texts of the “uncommitted bourgeois” anti-Peronist may be more pleasurable than one thinks; and the Borges’ literature as well, emphasizes David Viñas, is nothing innocent (like any other) in their view of the world. Thus, conversely, in the exile to the “unánime noche”, the readings aim to find the revolutionary-romantic utopia of the other “otro.” A dream or reality?

Keywords: Jorge Luis Borges, Domingo F. Sarmiento, night, utopia, romanticism.


Palavras-chave


Jorge Luis Borges, Domingo F. Sarmiento, night, utopia, romanticism.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.25.1.83-112

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