Contramão, de Henrique Schneider: a escrita à deriva

Francisco Renato de Souza

Resumo


Este artigo investiga o movimento não objetivo da escrita literária na narrativa Contramão, de Henrique Schneider, a partir da perspectiva do escritor francês Maurice Blanchot sobre a literatura, assim como analisa o paralelo, também proposto por Blanchot, entre a linguagem corrente e a linguagem característica do texto ficcional, pautada pelo imaginário e, portanto, contrária às regras vigentes no mundo da realidade. Como resultado dessa investigação, percebe-se o desvio do personagem da ordem para a errância como o movimento característico da escrita literária, que se desenvolve sem objetivação e por uma pluralidade de possibilidades, uma vez que não intenta um propósito único. Conclui-se então, que a dimensão propícia para o desenvolvimento dessa escrita se dá no terreno do imaginário, uma vez que a irrealidade estende o movimento da errância ao infinito, proporcionando à linguagem ficcional o movimento incessante e interminável, incompatível com a finitude do espaço do mundo corrente.


Palavras-chave


Contramão; Henrique Schneider; Maurice Blanchot; escrita; errância; deriva.

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Referências


BLANCHOT, M. A parte do fogo. Tradução de Ana Maria Scherer. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

BLANCHOT, M. O livro por vir. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

RAMOS, R. Circuito fechado. São Paulo: Globo, 2012.

SCHNEIDER, H. Contramão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2238-3824.22.1.125-138

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