Plautinismos e Suassunismos em O santo e a porca

Isabella Tardin Cardoso, Sônia Aparecida dos Santos

Resumo


O presente artigo tem como objetivo ler a comédia de Suassuna por meio de um olhar de plautinistas. A intenção aqui não será apontar todos os pontos em comum entre O santo e a porca e seu modelo plautino, a Aululária, mas sim discutir alguns dos mais importantes deles, na medida em que nos auxiliem em duas questões. De um lado, pretende-se evidenciar alguns efeitos dramáticos específicos, resultantes da mescla de motivos brasileiros com os da comédia romana. De outro lado, levando em conta o fato de que também Plauto imitava comédias gregas (adaptando-as, dentro do gênero da fabula palliata, ao público romano coevo), o objetivo central do artigo é observar até que ponto algumas características do texto e da performance atribuídas pela crítica moderna ao dramaturgo romano também se apresentam na peça brasileira, e, em caso positivo, com que efeito. Ao demonstrar que Suassuna emula também o modus imitandi de Plauto, nossa expectativa é de que esta investigação da intertextualidade entre as obras, considerando o modo como Suassuna sublinha ou mascara sua inspiração plautina, possa contribuir para lançar luzes sobre sua própria poética “nordestina”, que envolve a questão do engano cômico e sua relação com a ilusão dramática.

Palavras-chave


Plauto; Aululária; Ariano Suassuna; O santo e a porca; ilusão dramática.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/1983-3636.12.2.159-177

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Nuntius Antiquus
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