Drama, aporia e ironia no Mênon de Platão

Richard Romeiro Oliveira

Resumo


Como é sabido, o diálogo platônico Mênon se encerra com a afirmação de uma aporia: de fato, no desfecho dessa obra, Sócrates proclama abertamente para seu interlocutor, o jovem tessálio Mênon, que nenhum conhecimento seguro foi por eles alcançado acerca daquilo que foi investigado ao longo das discussões anteriores, a saber: a questão concernente à gênese da virtude. Tal fracasso ocorre, porém, segundo o filósofo, porque não se pesquisou previamente o que é a virtude em si mesma. Estamos, assim, aparentemente, diante de uma dupla negatividade: nada sabemos acerca de como a virtude se origina, porque ignoramos a sua natureza. Valendo-se de uma abordagem que leva a sério o caráter dramático e literário do diálogo platônico, o presente artigo pretende mostrar como essa aporia final que surge ao termo das discussões do Mênon pode ser compreendida como um enunciado irônico, que envolve, nas suas entrelinhas, uma significação filosófica diferenciada em relação àquilo que é explicitamente declarado pela letra do texto.


Palavras-chave


virtude; aporia; drama; saber; ironia.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/1983-3636.13.2.75-96

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Nuntius Antiquus
ISSN 2179-7064 (impressa) / ISSN 1983-3636 (eletrônica)

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