Interpretação automática. Problemas em aberto e algumas soluções / Machine interpretation. Open problems and some solutions

Marileide Dias Esqueda, Flávio de Sousa Freitas

Resumo


Trata-se de uma tradução do artigo de Jekat & Klein (1996)

NOTA DOS TRADUTORES

 

A interpretação automática (IA), ou tradução automática de fala, é uma tecnologia que traduz discurso oral de uma língua para outra através de três funcionalidades acopladas em um único sistema computacional: reconhecimento automático de fala, tradução automática e síntese de voz. Apresentado pela primeira vez em 1983, durante a convenção ITU Telecom, em Genebra, o conceito de IA veicula a ideia de sistemas capazes de promover a comunicação entre pessoas que falam línguas diferentes de forma espontânea e eficaz.

O presente artigo foi publicado originalmente em 1996 por duas pesquisadoras do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Hamburgo, que participavam do desenvolvimento do projeto de interpretação automática VERBMOBIL.

Nas últimas duas décadas, novos avanços surgiram no universo das tecnologias de processamento de linguagem natural. Desde então, distintas abordagens tecnológicas emergiram; algumas foram aperfeiçoadas e outras descartadas. Pode-se dizer que, atualmente, as máquinas aprendem de forma automática (machine learning) e atuam em redes neurais artificiais (artificial neural network) que as tornam mais inteligentes do que no passado. Os problemas fundamentais com os quais as máquinas têm lidado durante a tarefa de tradução e interpretação automáticas, no entanto, são anteriores aos avanços da atualidade.

É nesse sentido que este artigo é dotado de certo vanguardismo e, por isso, despertou nosso interesse em traduzi-lo para a língua portuguesa do Brasil. Foco de nossas pesquisas desde 2016, a tradução e interpretação automáticas, com ênfase especial aos processos de reconhecimento automático de fala, tradução automática e síntese de voz, vêm recentemente recebendo atenção em contexto nacional (FREITAS, 2016; FREITAS; ESQUEDA, 2017; ESQUEDA; FREITAS, 2019; FREITAS, ESQUEDA; 2020). Assim, a tradução que propomos é, quiçá, mais uma oportunidade de ampliar nosso horizonte de pesquisa e tornar a interpretação automática um objeto de estudo mais visível aos interessados em tecnologias da tradução e interpretação.

No que tange à tradução propriamente dita do artigo, podemos dizer que, dos distintos métodos de tradução descritos por Hurtado Albir (1999) e Molina e Hurtado Albir (2002), quais sejam, interpretativo-comunicativo (por meio do qual se traduz o sentido), literal (passível de transcodificação linguística), livre (com modificação de categorias semióticas e comunicativas) ou filológico (em que ocorre uma tradução crítico-acadêmica de caráter interlinear, isto é, trata-se de um método de tradução extremamente literal, em que as palavras são apresentadas com suas traduções linha a linha, sendo utilizado frequentemente na tradução de textos bíblicos), optamos pelo primeiro, o método interpretativo-comunicativo. Ao fazermos uso deste método, buscamos fornecer ao leitor a intenção comunicativa expressa no texto de Susanne J. Jekat e Alexandra Klein, por vezes lançando mão de técnicas tradutórias de transposição (mudanças de categorias gramaticais), compensação (introdução de informações ou efeitos estilísticos rearranjados em outro parágrafo ou lugar no texto-alvo), generalizações ou, ainda, de utilização de equivalente usual, isto é, adoção de uma terminologia consagrada pelo uso, como foi o caso do termo interpretação automática como equivalente para machine interpreting. Este termo, utilizado no título e no decorrer de todo o artigo traduzido, foi adotado com base em Freitas (2016), Freitas e Esqueda (2017), Esqueda e Freitas (2019) e Freitas e Esqueda (2020).

Assim, agradecemos as sugestões fornecidas pelos pareceristas do periódico Texto Livre: Linguagem e Tecnologia e esperamos que os leitores afeitos ao tema possam se sentir instigados a acompanhar e investigar os avanços das tecnologias relacionadas à tradução e interpretação automáticas.

 

REFERÊNCIAS

 

ESQUEDA, M. D.; FREITAS, F. de S. A intenção discursiva nos sistemas de interpretação automática. Domínios de Lingu@gem, v. 13, n. 2, p. 511-551, 8 jul. 2019. DOI: https://doi.org/10.14393/DL38-v13n2a2019-4. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/45057. Acesso em: 8 maio 2020.

 

FREITAS, F. de S. O Estado da arte da interpretação automática: do pós-guerra aos apps de tradução automática de fala. 2016. 159 f. Monografia (Bacharelado em Tradução) - Instituto de Letras e Linguística, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016.

 

FREITAS, F. de S.; ESQUEDA, M. D. Interpretação automática ou tradução automática de fala: conceitos, definições e arquitetura de software. Tradterm, São Paulo, v. 29, Julho/2017, p. 104-145. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2317-9511.v29i0p104-145 . Disponível em: http://www.periodicos.usp.br/tradterm/article/view/134416. Acesso em: 8 maio 2020.

 

FREITAS, F. de S.; ESQUEDA, M. D. Tradução e interpretação automáticas: origens. Curitiba: Editora CRV, 2020. DOI: https://10.24824/978854443937.1

 

HURTADO ALBIR, A. Enseñar a traducir: metodología en la formación de traductores e intérpretes. Madrid: Edelsa, 1999.

 

MOLINA, L; HURATDO ALBIR, A. Translation techniques revisited: a dynamic and functionalist approach. Meta: journal des traducteurs/Meta: Translators' Journal, v. 47, n. 4, p. 498-512, 2002. DOI: https://doi.org/10.7202/008033a. Disponível em: https://www.erudit.org/en/journals/meta/2002-v47-n4-meta688/008033ar.pdf. Acesso em: 12 maio 2020.

 


Palavras-chave


tecnologias da tradução; tecnologias da interpretação; tradução automática; interpretação automática

Texto completo:

PDF

Referências


AUSTIN, J. How to do things with words. Cambridge, MA.: Harvard University Press, 1962.

BADE, U. et al. Wizard-of-Oz-Experimente mit dem Verbmobil-Simulator. (VM-Memo 24). Hamburg: Universität Hamburg, 1994.

DE WAARD, J.; NIDA, E. From one language to another: Functional equivalence in Bible translation. Nashville: Nelson, 1986.

HAHN, W. V. Introduction. In: HAHN, W. v.; JEKAT, S.J.; MALECK, I. (Eds.). Machine translation and machine interpretation (Proceedings of the VERBMOBIL Workshop Oct 1995). Hamburg: Universität Hamburg, Fachbereich Informatik, 1995.

HAHN, W. V.; MOHNHAUPT, C. Szenarien, Anwendungen und Kommunikationsfelder für Verbmobil. (Verbmobil-Vorstudie). Hamburg: Universität Hamburg, 1992.

JEKAT, S.J. et al. Dialogue acts in VERBMOBIL. (VM-Report 65). Hamburg: Universität Hamburg, 1995.

JEKAT, S.J. Automatic interpretation of dialogue acts. In: HAUENSCHILD, C.; HEIZMANN, S. (Eds.). Machine translation and translation theory. Natural Language Processing. Mouton de Gruyter (no prelo).1

JEKAT-ROMMEL, S.J.; MALECK, I. Das Szenario für den VM-Prototypen: Vorschläge und Sprachdaten. (VM-Memo 44). Hamburg: Universität Hamburg, 1994.

KAMEI, S. et al. A dialogue analysis using information of the previous sentence. Proceedings of the ICSLP, Yokohama, Japan, 1994, p. 931-934.

KAMP, H.; REYLE, U. From discourse to logic. Dordrecht: Kluwer, 1992.

KOGURE, K.; KUME, M.; HITOSHI, I. Illocutionary act based translation of dialogues. Proceedings of the TMI, Austin, Texas, 1990.

KOLLER, W. Einführung in die Ubersetzungswissenschaft. Heidelberg: Quelle und Meyer, 1992.

KUENZLI, A.; MOSER-MERCER, B. Human strategies for translation and interpretation. In: DRESCHLER-FISCHER, L.; PRIBBENOW, S. (Eds.). KI-95 Activities: Workshops, Posters, Demos. Bonn: Gesellschaft fur Informatik e.V, 1995.

LEVIN, L. et al. Using context in machine translation of spoken language. Proceedings of the TMI, Leuven, Belgium, 1995, p. 173-187.

MAYFIELD, L. et al. Parsing real input in JANUS: A concept-based approach to spoken language translation. Proceedings of the TMI, Leuven, Belgium, 1995, p. 196-205.

PRAHL, B. et al. Variable Analysetiefe und Bewertungskriterien in VERBMOBIL: Translationswissenschaftliche Grundlagen. (VM-Report 54). Hildesheim: Universität Hildesheim, 1995.

QUINE, W. Word and object. Cambridge, MA.: The MIT Press, 1960.

RIPPLINGER, B. Concept-based machine translation and interpretation. Proceedings of the conference: Machine translation ten years on. Cranfield, Great Britain, 1994.

SCHMITZ, B.; QUANTZ, J. J. Dialogue acts in automatic dialogue interpreting. Proceedings of the TMI, Leuven, Belgium, 1995, p. 33-47.

SEARLE, J. Speech acts: An essay in the philosophy of language. Cambridge: Cambridge University Press, 1969.

WADENSJÖ, C. Interpreting as interaction. Linköping: Linkoping University, 1992.

WAHLSTER, W. Verbmobil: Translation of face-to-face dialogs. Proceedings of MT Summit IV, Kobe, Japan, 1993.

WAIBEL, A. et al. Natural speech processing in practice: Experiences with the VERBMOBIL/JANUS-2 System. In: HAHN, W. V.; JEKAT, S.J.; MALECK, L. (Eds.). Machine translation and machine interpretation. Proceedings of the VERBMOBIL-Workshop, Out. 1995. Hamburg: Universität Hamburg, Fachbereich Informatik, 1995.

WOSZCZYNA, M.; WAIBEL, A. Inferring linguistic structure in spoken language. Proceedings of the ICSLP, Yokohama, Japan, 1994, p. 847-850.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/1983-3652.13.2.%25p

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Texto Livre: Linguagem e Tecnologia
ISSN 1983-3652 (eletrônica)

Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais

Belo Horizonte - Minas Gerais (Brasil)

Licença Creative Commons

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
SCImago Journal & Country Rank