Universos ficcionais: o romanesco em Walter Scott e José de Alencar / Fictional Worlds: Romance in Walter Scott and José de Alencar

Marcos Roberto Flamínio Peres

Resumo


Resumo: Tamanha é a força do romanesco em Walter Scott que ele foi capaz de dar origem a duas linhas de força críticas antagônicas: uma tendendo a situá-lo dentro do conjunto da literatura ocidental, reatualizando arquétipos ancestrais (Frye); outra considerando-o a quintessência do romance histórico por representar momentos cruciais por que passava a sociedade capitalista entre os séculos XVIII e XIX (Lukács). À luz desse pano de fundo teórico contrastivo, este artigo busca analisar Waverley (1814), obra mais influente de Scott, em comparação com As minas de prata (1865-1866), romance mais ambicioso de José de Alencar e que lança mão de estratégias narrativas similares.

Palavras-chave: romanesco; romance histórico; Waverley; As minas de prata.

Abstract: Such is the force of the romance in Walter Scott that it was able to give rise to two antagonistic lines of force: one tending to situate it within the whole of Western literature, reviving ancient archetypes (Frye); another one which consider it the quintessence of the historical novel because it represents crucial moments of the capitalist society between the 18th and 19th centuries (Lukács). In light of this contrastive theoretical background, this paper intends to analyzes Waverley (1814), the most influential work of Scott, in comparison with As minas de prata (1865-66), the most ambitious novel by José de Alencar and that makes use of similar narrative strategies.

Keywords: romance; historical novel; Waverley; As minas de prata.


Palavras-chave


romance; historical novel; Waverley; romanesco; romance histórico; Waverley; As minas de prata.

Texto completo:

PDF

Referências


ALENCAR, José de. As minas de prata. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951. 3 v.

ALENCAR, José de. Como e por que sou romancista. In: ______. O guarani. Rio de Janeiro: José Olympio, 1953. t. 1, p. 47-74.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco / Poética. Tradução de Leonel Vallandro, Gerd Bornheim e Eudoro de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1987.

BROOKS, Peter. Reading for the plot. Cambridge: Harvard UP, 1992.

DUNCAN, Ian. Modern romance and transformations of the novel: the gothic, Scott, Dickens. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

FORSTER, Edward M. Aspectos do romance. Tradução de Maria Helena Martins. São Paulo: Globo, 1998.

FRYE, Norhtrop. Anatomia da crítica: quatro ensaios. Tradução de Marcus de Martini. São Paulo: É Realizações, 2014.

FRYE, Northrop. Literature as therapy. In: ADAMSON, Joseph; WILSON, Jean (Org.). The secular scripture and other writings on critical theory: 1976-1991. Toronto: University of Toronto Press, 2006. p. 463-476. (Collected Works of Northrop Frye; 18).

FRYE, Northrop. The secular scripture: a study of the structure of romance. In: ADAMSON, Joseph; WILSON, Jean (Org.). The secular scripture and other writings on critical theory: 1976-1991. Toronto: University of Toronto Press, 2006. p. 3-124. (Collected Works of Northrop Frye, v. 18).

ISER, Wolfgang. Fiction: the filter of history. In: ______. The implied reader: patterns of communication in prose fiction from Bunyan to Beckett. Baltimore, London: Johns Hopkins UP, 1987. p. 81-100.

JAMESON, Fredric. O inconsciente político. São Paulo: Ática, 1992.

KERR, James. Fiction against History: Scott as Storyteller. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.

LENTRICCHIA, Frank. After the New Criticism. Chicago: Chicago University Press, 1980.

LUKÁCS, György. O romance histórico. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2011.

PERES, Marcos Flamínio. As minas e a agulheta: ficção e história em As minas de prata, de José de Alencar. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2015.

PERES, Marcos Flamínio. The last manifestation of Vautrin. Nineteenth-Century French Studies, University of Nebraska Press, v. 44, n. 3-4, p. 279-290, Spring-Summer 2016.

SCHAEFFER, Jean-Marie. La catégorie du romanesque. In: DECLERCQ, Gilles; MURAT, Michel (Org.). Le romanesque. Paris: Presses Sorbonne Nouvelle, 2004. p. 291-302.

SCHAEFFER. Jean-Marie. Pourquoi la fiction? Paris: Seuil, 1999.

SCOTT, Walter. Essay on romance. In: SCOTT, Walter. The miscellaneous prose works of Sir Walter Scott, bart. Edinburgh: Robert Cadell; London: Whittaker and Co., 1834. v. VI: Chivalry, romance, the drama, p. 127-216.

SCOTT, Walter. Waverley; or, ´Tis sixty years since. Organização de Claire Lamont. Oxford: Oxford University Press, 2008.

STEVENSON, Robert Louis. À batons rompus sur le roman [A gossip on romance]. In: STEVENSON, Robert Louis. Essais sur l’art de la fiction. Tradução de France-Marie Watkins e Michel Le Bris. Paris: Éditions Payot & Rivages, 2007. p. 213-230.

VASCONCELOS, Sandra Guardini Teixeira. Figurações do passado: o romance histórico em Walter Scott e José de Alencar. Terceira margem, Rio de Janeiro, n. 18, p. 15-37, jan.-jun. 2008.

WELSH, Alexander. The hero of the Waverley novels: with new essays on Scott. Princeton: Princeton University Press, 1992.

WOMACK, Peter. Improvement and romance: constructing the myth of Highlands. London: MacMillan, 1989.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.26.2.157-181

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2016 Marcos Roberto Flamínio Peres



Aletria: Revista de Estudos de Literatura
ISSN 1679-3749 (impressa) / ISSN 2317-2096 (eletrônica)

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.