Vertigens do tempo: cinema, pintura, escritura

Artur de Vargas Giorgi

Resumo


Resumo: O ensaio propõe rearmar, numa breve genealogia, algumas proposições que, transitando entre o cinema, a pintura e a poesia, dão força a um posicionamento crítico da modernidade e da recorrência de seus pressupostos “progressistas” no mundo contemporâneo. Se certa visão da história sustenta-se na naturalização de uma suposta linearidade progressiva do tempo e da cultura, outras leituras reivindicam uma coincidência de temporalidades dissímeis: uma condição vertiginosa que diz respeito à imagem, à palavra – à escritura – e parece esvaziar qualquer consenso sobre a evolução temporal e histórica.

Palavras-chave: modernidade; contemporâneo; tempo; cinema; pintura; poesia.

Abstract: By means of a brief genealogy, the essay aims at a discussion of a series of propositions that, by linking cinema, painting, and poetry, suggest a critique of modernity and its “progressive” presuppositions in the contemporary world. On the one hand, there is a certain point of view of History based on the naturalization of the linear progress of time and culture, but on the other, there are readings that argue for a kind of coincidence of different temporalities. This essay discusses the vertiginous condition of both image and word – and writing –, which seems to prevent any consensus about temporal and historial evolution.

Keywords: modernity; contemporary; time; cinema; painting; poetry.


Palavras-chave


modernity; contemporary; time; cinema; painting; poetry.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.27.2.49-67

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