Ressignificações do coro trágico na conteporaneidade: uma releitura dos cantos fúnebres da antiguidade à luz de Ismail Kadaré e Walter Salles

Ana Maria César Pompeu, Beatriz Furtado Alencar Lima

Resumo


Resumo: O coro trágico presente nas tragédias gregas e já prefigurado em algumas passagens da Ilíada não se restringe às encenações dos poetas trágicos da Antiguidade, nem tampouco ao solo da antiga Grécia. Seus cantos emitem ressonâncias que se fazem sentir até hoje, por meio de ressignificações, em gêneros artísticos diversos da contemporaneidade. O ressoar desses cantos pode ser percebido – no trabalho que ora apresentaremos – nas obras dos artistas Ismail Kadaré e Walter Salles, respectivamente, escritor albanês e cineasta brasileiro os quais recriam e recontextualizam em suas obras a presença do coro trágico por meio das figuras das carpideiras albanesas e da rezadeiras nordestinas. Ismail Kadaré revive em sua tragédia albanesa, Abril despedaçado, o coro trágico, bem como os cantos fúnebres enunciados por mulheres que choravam profissionalmente nos solos da Grécia e dos Bálcãs; Walter Salles, por sua vez, ao traduzir para o cinema a obra homônima do escritor albanês recria as carpideiras albanesas por meio das rezadeiras nordestinas tendo como base o coro das tragédias gregas. É o coro trágico, pois, que volta à cena ressignificado à luz das culturas albanesa e brasileira.

Palavras-Chave: coro trágico; ressignificação; cultura.

Resumen: El coro trágico presente en las tragedias griegas y ya prefigurado en algunos pasajes de Iliada no se restringe a las escenificaciones de los poetas trágicos de la Antigüedad, ni tampoco al suelo de la antigua Grecia. Sus cantos emiten resonancias que se pueden sentir hasta hoy, por medio de resignificaciones, en géneros artísticos diversos de la contemporaneidad. El resonar de esos cantos puede ser percebido – en el trabajo que ahora presentamos– en las obras de los artistas Ismail Kadaré y Walter Salles, respectivamente, escritor albanés y cineasta brasileño los cuales recrean y recontextualizan en sus obras la presencia del coro trágico por medio de las figuras de las carpideras albanesas y de las rezaderas nordestinas. Ismail Kadaré revive en su tragedia albanesa, Abril Quebrado, el coro trágico así como los cantos fúnebres enunciados por mujeres que lloraban profisionalmente en suelos griegos y balcánicos; Walter Salles, por su vez, al traducir para el cine la obra homónima del escritor albanés recrea a las carpideras albanesas por medio de las rezaderas nordestinas teniendo como base el coro de las tragedias griegas. Es el coro trágico, pues, que vuelve a la escena resignificado a la luz de las culturas albanesa y brasileña.

Palabras-Clave: coro trágico; resignificación; cultura.


Palavras-chave


coro trágico; ressignificação; cultura; resignificación.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.19.4.25-37

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Aletria: Revista de Estudos de Literatura
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