O silenciamento das deusas na tradição interpretativa cristã: uma hermenêutica feminista / The Silencing of the Goddesses in the Christian Interpretive Tradition: A Feminist Hermeneutics

Anete Roese

Resumo


Resumo: Interromper o silêncio histórico na tradição interpretativa judaico-cristã sobre as divindades femininas no espaço geográfico do surgimento do monoteísmo masculino patriarcal não é uma tarefa simples, mas é uma das mais interessantes pesquisas com as quais a teologia feminista se ocupa. A hermenêutica feminista, no campo teológico, embrenhou-se nessa arte de evidenciar as veredas por onde teriam andado as Deusas nos tempos e contextos dos textos sagrados, e em capturar vestígios daquelas que sucumbiram a uma religião masculinizante e violenta, e flagrar os sinais daquelas que teriam sobrevivido sob disfarces até hoje. O presente texto faz uma leitura através da hermenêutica teológica feminista desses processos de silenciamento das Deusas na tradição interpretativa judaico-cristã.

Palavras-chave: deusas; textos sagrados; hermenêutica feminista.

Resumen: Interrumpir el silencio histórico en la tradición de interpretación judeo-cristiana sobre las deidades femeninas en el espacio geográfico de la aparición del monoteísmo patriarcal masculino no es una tarea sencilla, pero es una de las investigaciones más interesantes investigaciones con las cuales la teología feminista está involucrada. La hermenéutica feminista, en el área de la teología, se ocupó con el arte de evidenciar caminos por donde tendrían caminado las Diosas en los tiempos y contextos de los textos sagrados, y la captura de huellas de las que sucumbieron a la religión masculinizante y violenta, y la captura de señales de las que sobrevivieron bajo disfraces hasta hoy. Este artículo hace una lectura a través de la hermenéutica teológica feminista de estos procesos de silenciamiento de las Diosas en la tradición interpretativa judeo-cristiana.

Palabras-clave: diosas; textos sagrados; hermenéutica feminista.


Palavras-chave


deusas; textos sagrados; hermenêutica feminista; diosas; textos sagrados; hermenéutica feminista.

Texto completo:

PDF

Referências


BÍBLIA SAGRADA, A. O Antigo e o Novo Testamento. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2. ed. Baruer: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

BÍBLIA. TRADUÇÃO ECUMÊNICA. TEB. São Paulo: Loyola, 1994.

CHRIST, Carol P. Re-imaginando o divino no mundo como ela que muda. Mandrágora. O imaginário feminino da divindade. UMESP, São Bernardo do Campo, ano XI, n. 11, p. 16-28, 2005.

CONTI, Cristina. Hermenêutica feminista. In: SCHNEIDER, Theodor (Org.). Grande Sinal. A mulher e a criação teológica. Petrópolis: Vozes, 200. v. 55. p. 497-512.

CROATTO, J. Severino. A sexualidade da divindade. Reflexões sobre a linguagem acerca de Deus. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (Ribla). Religião e erotismo. Quando o verbo se faz carne. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal, ano 38, n. 1, p. 16-31, 2001.

FIORENZA, Elisabeth Schüssler. As origens cristãs a partir da mulher. Uma nova hermenêutica. Trad. João Rezende Costa. São Paulo: Paulinas, 1992.

FIORENZA, Elisabeth Schüssler. Caminhos de sabedoria: uma introdução à interpretação bíblica feminista. Trad. Monika Ottermann. São Bernardo do Campo: Nhanduti Editora, 2009.

GEBARA, Ivone. Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal. Petrópolis: Vozes, 2000.

GEBARA, Ivone. Teologia em ritmo de mulher. São Paulo: Paulinas, 1994. 78 p.

GEBARA, Ivone; BINGEMER, Maria Clara. Maria, mãe de Deus e mãe dos pobres. Petrópolis: Vozes, 1992.

GÖSSMANN, Elisabeth et al. Dicionário de teologia feminista. Petrópolis: Vozes, 1997.

IWASHITA, Pedro. Maria e Iemanjá: análise de um sincretismo. São Paulo: Paulinas, 1991.

JUNG. Carl Gustav. Psicologia e religião. Trad. Dom Mateus Ramalho Rocha. Petrópolis: Vozes, 1987.

LAFFEY, Alice L. Introdução ao Antigo Testamento: perspectiva feminista. Trad. José Raimundo Vidigal. São Paulo: Paulus, 1994.

NEUENFELDT, Elaine Gleci. Inanna/Ihstar – uma deusa de simultâneas formas. Mandrágora. O Imaginário Feminino da Divindade, São Bernardo do Campo, ano XI, n. 11, p. 57-63, 2005.

OTTERMANN, Monika. Vida e prazer em abundância: a deusa árvore. Mandrágora. O imaginário feminino da divindade. São Bernardo do Campo, ano 11, n. 11, p. 40-56, 2005.

POHL-PATALONG, Uta. Kritische Freundschaft: Bibliodrama und Feministische Theologie. In: NAURATH, Elisabeth; POHL-PATALONG, Uta. Bibliodrama: Theorie, Práxis, Reflexion. Stuttgart: Kohlhammer, 2002.

RUETHER, Rosemary Radford. Sexismo e religião. Trad. Walter Altmann, Luiz Marcos Sander. São Leopoldo: Sinodal, 1993.

SCHOTTROFF, Luise; SCHROER, Silvia; WACKER, Marie-Theres. Exegese feminista. Resultados de pesquisas bíblicas a partir da perspectiva de mulheres. Trad. Monika Ottermann. São Leopoldo: Sindoal/ES/CEBI; São Paulo: ASTE, 2008.

SCOT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade – mulher e educação. Porto Alegre, UFRGS, n. 15/152, p. 5-22, 1990.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.20.3.177-191

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2010 Anete Roese



Aletria: Revista de Estudos de Literatura
ISSN 1679-3749 (impressa) / ISSN 2317-2096 (eletrônica)

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.