Compaixão animal / Animal compassion

Márcio Seligmann Silva

Resumo


Resumo: O trabalho estuda a questão da compaixão, que na história do pensamento foi ora tratada como uma marca da humanidade, ora pensada como uma marca de nossa origem natural e animal. Para Lactâncio, por exemplo, sem piedade o homem é um animal. O texto parte de uma discussão de Buffon, que falava de uma compaixão como uma de nossas “affections naturelles”. Para ele, “a alma tem menos a ver do que o corpo nesse sentimento de piedade natural e os animais, assim como o homem, são suscetíveis a ele; o grito de dor os comove, eles correm para socorrer; eles retrocedem diante da visão de um cadáver da sua espécie.” O animal compassivo é posto, no texto, diante do homem compassivo. Em ambos os casos aflora, por detrás da compaixão “natural”, o espectro da violência aniquiladora.

Palavras-chave: compaixão; empatia; compaixão assassina.

Abstract: The paper analyzes the issue of compassion, which in the history of thought has been considered either as a sign of humanity or as a sign of our natural and animal origin. For Lactance, for instance, without piety man is only an animal. The text discusses also Buffon’s theory of compassion as one of our “affections naturelles”. For him, “the soul is not so much requested as the body is in this natural piety feeling and animals, as the man, are susceptible to it; the pain cry affects them, they run to help; they step back before the vision of a corpse from its species.” In the text we see a confrontation between the compassionate animal and the compassionate man. In both cases we see, hidden behind “natural compassion”, the shadow of an annihilating violence.

Keywords: compassion; empathy; murderous compassion.


Palavras-chave


compaixão; empatia; compaixão assassina; compassion; empathy; murderous compassion.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.21.3.39-51

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