Migrations fictionnelles de l’observateur: le regard extérieur sur le Canada et ses médiations / Migrações ficcionais do observador: o olhar exterior sobre o Canadá e suas mediações

Walter Moser

Resumo


Résumé: Pays d’immigration, le Canada est riche en textes littéraires – tant anglophones que francophones – écrits par des immigrants. Récemment, la critique littéraire intéressée à la représentation de l’altérité culturelle a développé le paradigme de la “littérature migrante”. Or, il existe un stratagème très ancien pour jeter un coup d’œil étrange et étranger sur ma propre culture; il consiste à inventer un observateur extérieur qui se déplace. Appliqué dans Les lettres persanes de Montesquieu de manière paradigmatique, ce stratagème connaît une modalité particulière quand le regard extérieur est narrativement construit par le déplacement d’un personnage qui, loin d’être étranger, vient de la culture propre – canadienne en l’occurrence – et se déplace pour jeter un regard extérieur sur sa propre culture. De ce fait, ce regard interne devenu externe acquiert un potentiel critique. On analyse ici ce stratagème, afin de faire ressortir sa valeur critique, dans deux romans – The englishman’s boy, de Vanderhaeghe, et The navigator of New York, de Johnston – et dans le film , de Robert Lepage.

Mots-clés: migration; mobilité cultureal; stratagème du regard d’autrui; litérature cannadienne; cinéma étranger.

Resumo: Pais de imigração, o Canadá é rico em textos literários – tanto anglófonos como francófonos – escritos por imigrantes. Recentemente, a crítica literária, interessada na representação da alteridade cultural, desenvolveu o paradigma da “literatura migrante”. Ora, existe um estratagema bastante antigo para lançar um olhar estranho e estrangeiro sobre a própria cultura, que consiste em inventar um observador exterior que se desloca. Aplicado de maneira paradigmática na obra Les lettres persanes [Cartas persas], de Montesquieu esse estratagema apresenta uma modalidade particular quando o olhar exterior é narrativamente construído pelo deslocamento de um personagem, que, longe de ser estrangeiro, vem de sua própria cultura – canadense no caso – e se desloca para lançar um olhar exterior sobre ela. De fato, esse olhar interno, transformando-se em externo, adquire um potencial crítico. Analisa-se aqui esse estratagema, com o objetivo de ressaltar seu valor crítico, em dois romances – The englishman’s boy, de Vanderhaeghe, e The navigator of New York, de Johnston – e no filme , de Robert Lepage.

Palavras-chave: migração; mobilidade cultural; estratagema do olhar alheio; literatura canadense; cinema estrangeiro.


Palavras-chave


migration; mobilité cultureal; stratagème du regard d’autrui; litérature cannadienne; cinéma étranger; migração; mobilidade cultural; estratagema do olhar alheio; literatura canadense; cinema estrangeiro.

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Referências


AUGÉ, Marc. Non-lieux. Introduction à une anthropologie de la surmodernité. Paris: Seuil, 1992.

JAMESON, Fredric. Third-world literature in the era of multinational Capitalism. Social Text, n. 15, p. 65-86, 1986.

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MONTESQUIEU. Lettres persanes. Paris: Garnier, 1960.

NÔ. Direção: Robert Lepage. País: Canadá: New Yorker Films/Alliance Atlantis Communications Inc, 1998 (85 min.)

ROUSSEAU, Jean- Jacques. Essai sur l’origine des langues. In: ______. Œuvres posthumes. Paris: A. Bélin, 1817. Tome III. p. 501-543.

VANDERHAEGHE, Guy. The englishman’s boy. Toronto: McClelland & Stewart, 1996.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.22.3.57-68

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Aletria: Revista de Estudos de Literatura
ISSN 1679-3749 (impressa) / ISSN 2317-2096 (eletrônica)

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