História da literatura e consciência historiográfica: um diálogo entre a escrita e a recepção / History of Literature and Historiography Consciousness: A Dialogue Between Writing and Reception

Ítalo Nunes Ogliari

Resumo


Resumo: A História da literatura, assim como todo e qualquer registro historiográfico, a partir de vertentes que puseram em xeque o discurso histórico, encontra-se, hoje, problematizada. Revelou-se nada menos do que a necessidade de fala daqueles foram deixados à margem do eixo hegemônico e que sofrem até nossos tempos uma insuficiência representacional, mantendo essas vozes literárias em um estado de subalternidade: um não lugar nas narrativas oficiais. Por isso, diferente da historiografia tradicional, incumbida de selecionar obras e autores considerados dignos e representantes das letras de uma nação, a história literária contemporânea busca um caráter plurivocal, nos obrigando a uma reconsideração daquilo que temos como cânone. No entanto, cabe-nos perguntar, se é possível hoje, mesmo consciente de todas as armadilhas deste discurso historiográfico, não se criar, na tentativa de se “preencher” as lacunas de uma história literária posta como verdade, outro discurso semelhante. Ou melhor: como abordar um sistema literário e não repetir a forma tradicional, que consiste na seleção arbitrária de determinados autores e exclusão de outros, criando, assim, novos cânones e deixando os demais, novamente, à margem? Será que todo o problema da historiografia literária está, necessariamente, nela, ou seria seu receptor também culpado por determinadas questões, que estariam ligadas a uma não percepção de uma visível consciência historiográfica, que sempre apontou, nos mais célebres registros, a impossibilidade de uma abordagem totalitária e perfeita?

Palavras-chave: História da Literatura e recepção; historiografia literária; consciência historiográfica.

Abstract: History of literature, like any historiographical record, due to the trends questioning the historical discourse, is now problematized. It has been revealed the necessity to give a voice to those who have been left on the fringe of the hegemonic axis and which have suffered, up to now, from a representational insufficiency, keeping these voices in a state of subalternity: a non-place in the official narratives. Thus, unlike the traditional historiography, in charge of the selection of works and authors considered worthy and representative of the letters of a nation, contemporary literary history seeks a plurivocal character, requiring a reconsideration of what one has as a canon. However, one should ask: is it possible today, even aware of all the traps of this historiographical discourse, not to create, in the attempt to “fill in” the gaps of a literary history imposed as a truth, another similar discourse? Or better: how can one approach a literary system without repeating the traditional form, which consists of an arbitrary selection of some authors and the exclusion of others, thus creating new canons and leaving the others, again, on the fringe? Is the problem of literary historiography necessarily in it, or is its receptor, who reads, understands, interprets and appropriates a given text, as shown by Paul Ricoeur or Chartier, giving it meaning also to blame for some issues, which would be associated to a non-perception of a visible historiographical awareness, which has always pointed, in the most eminent records, to the impossibility of an absolute and perfect approach?

Keywords: History of literature and reception; literary historiography; historiographical awareness.


Palavras-chave


History of literature and reception; literary historiography; historiographical awareness.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.25.1.243-252

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