A ressaca pós-industrial e o Laddism em Trainspotting / Post-Industrial Hangover and Laddism in Trainspotting

Fabiane Lazzaris, Lauro Iglesias Quadrado

Resumo


Resumo: O artigo discute o impacto do cenário político e social das últimas décadas do século XX na produção literária escocesa, tendo como objeto de análise o romance Trainspotting (1993), de Irvine Welsh. Argumenta-se que o vácuo existencial potencializado pelo abuso de drogas não constitui o tema central da obra e que, na verdade, o livro problematiza o sentimento de letargia de uma geração desiludida com o modelo econômico da sociedade pós-industrial do fim do século XX. As drogas e a consequente inércia dos personagens de Trainspotting são representadas por Welsh como elementos de subversão em oposição ao modelo de sociedade profundamente consumista. Ademais, o desemprego massivo acaba criando novas relações sociais entre os homens e as mulheres, o que gera uma forte onda de afirmação que perpassa o machismo, o laddism.

Palavras-chave: Irvine Welsh; literatura escocesa contemporânea; laddism; drogas.

Abstract: This article discusses the impact of the social and political scenario of the last decades of the 20th century on the Scottish literary production, having Irvine Welsh’s novel, Trainspotting (1993) as its object of analysis. It is argued that the existential void made extreme through drug abuse does not constitute the central issue of the work, which is actually the scrutinizing of the feeling of lethargy of a generation deluded by the economic model of late 20th-century post-industrial society. Drugs and the characters’ subsequent inertia in Trainspotting are represented by Welsh as elements of subversion as opposed to the model of a deeply consumerist society. Moreover, massive unemployment ends up creating new social relations among men and women, ensuing a strong wave of self-assurance through sexism, laddism.

Keywords: Irvine Welsh; contemporary Scottish literature; laddism; drugs.


Palavras-chave


Irvine Welsh; contemporary Scottish literature; laddism; drugs.

Texto completo:

PDF

Referências


AB’SABER, Tales A. M. A música do tempo infinito. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.

FISHER, Mark. Capitalist realism: is there no alternative? Winchester; Washington: Zero Books, 2009.

FISHER, Mark. Ghosts of my life: writings on depression, hauntology and lost futures. Winchester; Washington: Zero Books, 2014.

MORACE, Robert. Trainspotting: a reader’s guide. New York: The Continuum International Publishing Group, 2001.

MORETTI, Franco. A literatura vista de longe. Trad. Anselmo Pessoa Neto. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2008.

OXFORD Dictionary. Oxford University Press, 2008. Disponível em: http://www.askoxford.com/concise_oed/trainspotter?view=uk. Acesso em: 27 set. 2015.

PECKHAM, Aaron. Urban Dictionary. USA, 2007. Disponível em: http://www.urbandictionary.com/define.php?term=trainspotting. Acesso em: 27 set. 2015.

POP, Iggy. Neon Forest. In: Brick by brick. Londres: Virgin Records. 54’09’’. 1 CD.

SANTAELLA, Lucia. Corpo e comunicação: sintoma da cultura. São Paulo: Paulus, 2004.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Trad. Rita Correia Guedes. Tradução de SARTRE, Jean-Paul. L’Existentialisme est un humanisme. Paris: Les Éditions Nagel, 1970. Disponível em: http://stoa.usp.br/alexccarneiro/files/-1/4529/sartre_exitencialismo_humanismo.pdf. Acesso em: 27 set. 2015.

SLOTERDIJK, Peter. Se a Europa despertar. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Estação Liberdade, 2002.

SMITH, Murray. Trainspotting. London: British Film Institute, 2002.

WELSH, Irvine. Trainspotting. New York: Norton, 1996.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.25.3.49-65

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2016 Fabiane Lazzaris, Lauro Iglesias Quadrado



Aletria: Revista de Estudos de Literatura
ISSN 1679-3749 (impressa) / ISSN 2317-2096 (eletrônica)

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.