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Em torno a uma crise clássica

 

Crédito da imagem: Márcia Guimarães (http://marciaguimaraes.art.br/index.php/portfolio/espaco-relacionamento-e-ocupacao/)

 

NOVO PRAZO PARA SUBMISSÃO: 01/05/2019

 

A crise tem sido um tópos cada vez mais constante nas discussões de várias disciplinas das Humanidades desde meados do século XX até o presente, sobretudo a partir de uma alardeada crise da leitura e dos valores tradicionais pretensamente atrelados a ela. O tom apocalíptico de uma série de títulos dos estudos literários publicados nas últimas décadas é um curioso sintoma dessa situação: O declínio da cultura ocidental (Allan Bloom, 1989); Quem matou Homero? (Victor Davis Hanson e John Heath, 1998); A morte de uma disciplina (Gayatri Spivak, 2003); A literatura em perigo (Tzvetan Todorov, 2010). Ainda que compartilhem certo mal-estar perante a situação atual dos estudos literários, esses autores divergem no que diz respeito às causas do problema: para os mais conservadores, a relativização do cânone e de seus valores tradicionais tem trazido problemas de formação e dificuldades pedagógicas; para os mais progressistas, o engessamento institucional e curricular dificulta a possibilidade de que tradições alternativas a esse cânone sejam devidamente estudadas. Com desdobramentos na cena literária brasileira – de José Guilherme Merquior e Leyla Perrone-Moisés a Eneida Maria de Souza e Wander Melo Miranda –, esse debate parece configurar mais uma reatualização da eterna Querelle des Anciens et des Modernes, na linha do que já era sugerido em Literatura Europeia e Idade Média Latina por Ernst Curtius (2013, p. 313).

Cientes da oportunidade que pretensos momentos de crise oferecem a quem queira rever os critérios de seus próprios juízos, a fim de delinear renovadas possibilidades de crítica (ou diferentes regimes de leitura), nós da Em Tese gostaríamos de receber contribuições que se orientassem principalmente por:

i) análises do contexto sociocultural das últimas décadas no campo dos estudos literários, tomando posição com relação à dita situação de crise: seja por meio de um trabalho de crítica literária, seja por meio de uma discussão teórica;

ii) retomadas de debates relevantes para a história dos estudos literários, a partir da célebre antinomia “antigos x modernos”: desde as Nuvens de Aristófanes e as discussões pedagógicas de Platão, na Grécia antiga, passando pelas obras latinas e medievais, até as mais diversas manifestações da Querelle des Anciens et des Modernes, no Renascimento, no Classicismo, no Romantismo e em vários movimentos de vanguarda do séc. XX.

Novo prazo para submissão: 01 de maio de 2019.

Vale lembrar que as seções Ensino de Literatura; Teoria, Crítica Literária e Outras Artes e Mídias; Tradução e Edição; Resenhas e Em Tese recebem submissões em fluxo contínuo sobre temas que não necessitam estar relacionados ao tópico do dossiê.

 
Publicado: 2019-01-15 Mais...
 
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