O futuro do passado: Por uma história afetiva dos Estudos Clássicos no Brasil

A história dos Estudos Clássicos no Brasil talvez não seja tão antiga quanto alguém poderia imaginar. É certo que a presença da Tradição Clássica nessas terras pode remontar ao século XVI, com a invasão portuguesa e o processo de colonização, sobretudo a partir da chegada dos jesuítas em 1549 e sua tentativa de adaptar a famosa Ratio Studiorum à realidade local. Desde esse período até os dias de hoje, bem ou mal, temos convivido com o ensino das línguas, literaturas e culturas das civilizações que chamamos “clássicas”, isto é, a romana e a grega antiga. Evidentemente, essa história conheceu muitos esplendores, com figuras do porte de um Gregório de Matos, um Pe. Antônio Vieira, um Cláudio Manoel da Costa e tantas outras, além de altos e baixos, com a expulsão dos jesuítas (em 1759), a fundação do Colégio Pedro II (em 1836) e as primeiras publicações de traduções de obras clássicas no Brasil. Por outro lado, a fundação das primeiras universidades com cursos oferecendo disciplinas afins aos Estudos Clássicos é fenômeno muito mais recente pois data de meados do século XX e isso explica uma série de particularidades da forma como a área se desenvolveu por aqui. A partir de 1950, uma formação mais especializada em Estudos Clássicos torna-se possível, com a fundação dos primeiros cursos de pós-graduação, como indica o florescimento de publicações acadêmicas da área. O processo é coroado com a criação da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC), no ano de 1985, viabilizada pelo fim da ditadura e a implementação de um processo de redemocratização no Brasil. De lá para cá, a área conheceu avanços notáveis, ainda que esteja sendo posta à prova – junto com as Humanidades e outras áreas da educação – por uma crise profunda que tem atravessado o país nos últimos anos.

Levando em conta a importância dessa área acadêmica, cuja história tem sido feita e escrita com muita dedicação, nós da Em Tese gostaríamos de receber contribuições que dialogassem com algum(ns) dos seguintes eixos:

i) Philologia perennis: reflexões gerais sobre um ou mais tópicos dentro da história da Tradição Clássica e dos Estudos Clássicos no Brasil, como, p. ex., ensino (em nível médio ou superior), tradução, recepção lato sensu, instituições, eventos etc.;

ii) In memoriam: apresentações gerais da vida e da obra de grandes nomes responsáveis pela difusão da cultura clássica no passado (podendo incluir um aspecto testemunhal, no caso de pessoas com quem se tenha convivido);

iii) Labor omnia vincit: relatos pessoais e memórias afetivas sobre classicistas ainda em atividade no Brasil, podendo trazer apontamentos não apenas sobre sua produção acadêmica, mas também sobre seus empreendimentos nos campos da tradução, das criações literária, artística, jornalística etc.

 

O prazo para submissões é até 01/07/2021.

 

Vale lembrar que as seções Ensino de Literatura; Teoria, Crítica Literária e Outras Artes e Mídias; Tradução e Edição; Resenhas; e Em Tese recebem submissões em fluxo contínuo sobre temas que não necessitam estar relacionados ao tópico do dossiê.

 

(Fotomontagem por Rafael Silva)