Metalinguagem em Dáfnis e Cloé, de Longo, a partir de algumas aproximações com as Bucólicas, de Virgílio

Alex Mazzanti Júnior

Resumo


Esse trabalho busca oferecer algumas aproximações entre as
obras Dáfnis e Cloé, de Longo, e as Bucólicas, de Virgílio, centrandose,
ao fim, na análise de um trecho daquele em que se pode fazer
uma leitura metalinguística embasada no uso de certos elementos da
tradição compartilhados e desenvolvidos pelos poemas virgilianos. A
partir da aplicação dos tria genera dicendi a personagens, presente em
comentadores, nota-se o compartilhamento, entre os autores, de uma
hierarquia entre cabreiros, ovelheiros e boieiros, que se estende também
à poética. Por meio da análise vocabular do texto de Longo, é possível
depreender que, ao evocar essa hierarquia pastoral num contexto de
comentário sobre composição poética, Longo estaria comentando sua
própria composição, e como ela, um romance grego de amor e bucólico,
se articula com as definições genéricas tradicionais como um gênero
múltiplo, híbrido.


Palavras-chave


romance grego; Longo; Dáfnis e Cloé; Virgílio; Bucólicas.

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Nuntius Antiquus
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