Referência genérica em SNs singulares: uma abordagem cognitivista experimental

Diogo Pinheiro, Lilian Ferrari, Maria Clara Pimenta, Joabe de Souza, Márcia Viegas, Wanderson Lucas Ohenes

Abstract


Resumo: Este artigo se debruça sobre dois padrões de SNs singulares genéricos do português brasileiro – com artigo definido e com determinante zero – com um objetivo duplo: de um lado, caracterizar as estruturas conceptuais associadas a cada um desses padrões; de outro, testar experimentalmente a validade dessa caracterização. À luz da Gramática Cognitiva (LANGACKER, 1987, 1991, 2009, 2013), assumimos que ambos os padrões designam um tipo (em oposição a uma instância particular) inserido em um domínio conceitual abstrato (em oposição ao espaço físico). Com base nisso, sugerimos que (i) o esquema com artigo pressupõe a disponibilidade prévia do domínio de instanciação e evoca a conceitualização implícita de tipos não perfilados, ao passo que (ii) o esquema com determinante zero não pressupõe acesso prévio ao domínio de instanciação e não faculta a conceitualização de tipos não perfilados. Para testar essas hipóteses, foi realizado um experimento de julgamento de aceitabilidade no qual trinta estudantes de graduação avaliaram sentenças contendo SNs singulares genéricos definidos em duas condições: com sequência contrastiva (condição plenamente compatível com a hipótese (i)) e sem sequência contrastiva (condição menos compatível com a hipótese (i)). Os resultados revelaram a existência de diferença significativa na distribuição dos graus de aceitabilidade entre as duas condições (p = .043), fornecendo evidências em favor da proposta desenvolvida aqui.


Keywords


Gramática Cognitiva; abordagem experimental; sintagma nominal genérico; português brasileiro.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2237-2083.25.3.1463-1500

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