A tradução para o inglês de unidades fraseológicas de especialidade do campo da Antropologia: um estudo da formação do habitus tradutório baseado em corpora

Talita Serpa, Diva Cardoso de Camargo, Marilei Amadeu Sabino

Abstract


Com o intuito de investigar o comportamento tradutório para unidades fraseológicas especializadas (UFEs), esta pesquisa analisa um corpus paralelo composto pelas obras O processo civilizatório (1968) e O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro, bem como por suas traduções para o inglês, realizadas, respectivamente, por Meggers (RIBEIRO, 1968) e Rabassa (RIBEIRO, 2000). Para tanto, o artigo adota o arcabouço dos Estudos da Tradução Baseados em Corpus (BAKER, 1996, 2000; CAMARGO, 2007), da Linguística de Corpus (Berber Sardinha, 2004), da Terminologia (Barros, 2004; BEVILACQUA, 2004) e da Lexicologia (CORPAS PASTOR, 2010). Quanto à análise dos dados, o trabalho se fundamenta em conceitos como capital social e habitus (BOURDIEU, 1980; SIMEONI, 1998, 2007; GOUANVIC, 1995, 1999, 2002, 2005) e na metodologia do programa WordSmith Tools. Os resultados apontam para a nominalização de verbos, um fator que pode alterar a compreensão do texto traduzido, principalmente no que diz respeito à interpretação do universo brasileiro, por exemplo: “integrar as massas marginais” > “integration of marginal groups”; e “transfigurar as etnias originais” > “transformation of earlier ethnos”. O estudo evidencia também, o uso de normalização (BAKER, 1996, 1999) quando as unidades lexicais estão voltadas aos elementos culturais, como em: “colher as roças” > “to plant garden plots”; e “subjugar caudilhos” > “to subdue local leaders”. A recorrência no uso destes aspectos permite verificar a possível formulação do habitus tradutório.


Keywords


Estudos da Tradução Baseados em Corpus; Linguística de Corpus; Terminologia; Sociologia da Tradução; Unidades Fraseológicas Especializadas; Antropologia; Habitus Tradutório.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2237-2083.25.4.2159-2195

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